Anotações indigestivas

I

A religião é como um carrossel: há quem goste de brincar nele, brincar, sorrir e se emocionar. Mas eu sou daquelas crianças chatas que só querem saber como ele faz para girar.

II

Como problematizar as crenças comuns? A teologia é bullshit, os dogmas são uma perversão contra o bom senso, o lugar comum dos deuses já não faz mais sentido – eles já não fazem mais sentido. Mas apesar de todo meu desencanto moderno, algumas questões ficam em aberto: o que é que há por detrás desse conjunto de coisas que chamamos de religião? Há de fato algo que ultrapasse a política de dominação de mentes e corpos? Realmente há um grito antropológico profundo por tudo que a religião trás em seus aspectos que transcendem a nossa capacidade de análise reflexiva? Ou não trata tudo isso uma grande carência psicoafetiva suprida por uma forma de alienação?

III

Os deuses são produtos produtores de sentido. Produtos da nooesfera que nos possuem de maneira análoga a um orixá: aquele por ele possuído não é um mero receptáculo da divindade, mas seu instrumento: cavalo e cavaleiro. Tornamos-nos veículos das ideias que produzimos. A possessão do real pela ideia é mais comum do que se imagina…

IV

Não seriam as religiões uma maneira que o homem encontrou diante da morte de, deixando de existir, continuar a ser? Será que a esse esforço de persistência no mundo por meio da cultura possamos chamar de transcendência?

V

O tempo corre, escorre por entre os dedos, não há o que o possa parar.  Se bem soubéssemos disso não nos deixaríamos privar tão facilmente dele. “Mas ele foge: irreversivelmente o tempo foge.” Virgílio.

Mailson Cabral

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The End of the Beginning – God is an Astronaut

Em um futuro não tão distante nos converteremos em pó e cinzas soprados pelo vento, pisados pelo peso do tempo. Aí então quando as ruínas da nossa civilização forem apenas meros borrões sem nomes e lembranças na imensidão do cosmos, o que será toda essa ânsia por ganância e poder que constantemente corrói e destrói os projetos de esperança de uma humanidade humanizada?

Mailson Cabral