Arquivo | maio, 2014
Vídeo

História das Religiões do Mundo – O Ceticismo e o Relativismo Religioso.

14 maio

Documentário da série “Religiões do Mundo”, que aborda a história do Ceticismo e do Relativismo Religioso.

Por que Templo e Taverna?

12 maio

De vez em quando algumas pessoas me perguntam o porquê do blog se chamar Templo e Taverna. Pois bem, o título remete a ideia de sagrado e profano, porém não em uma noção dicotomizada, mas dialética. São as duas faces da mesma moeda. Não existe o sagrado sem o profano nem o profano sem o sagrado, eles são elementos da consciência humana que estão em constante diálogo.

Entre os textos e estercos da minha desconstrução religiosa é que surgiram as ideias para criar o Templo e Taverna. As influências que os meus textos tem são múltiplas, mas três autores se destacam: Edgar Morin, Mircea Eliade e Nietzsche. Esses autores fazem um ponto comum em minha mente: abrem o caminho para o conhecimento do homem e da realidade. É nessa linha que procuro compreender a complexidade entre o sagrado e o profano.

Também é preciso dizer que há aqui um grito iconoclasta: destruir os ídolos da religiosidade institucional que aviltam a vida e a liberdade do homem, a saber, os dogmas e suas doutrinas.

Com nome e ideias bem heterodoxas singra no mar da web o Templo e Taverna.

Mailson Cabral.

A realidade do demônio

1 maio

Neste feriadão estou colocando algumas leituras em dia e me deparo com O dossel sagrado. Tinha começado a lê-lo há algumas semanas atrás, mas só agora pode me dedicar a ele de fato. No segundo capítulo da obra de Peter Berger me deparo com esta sentença arrebatadora:

“Ir contra a ordem da sociedade é sempre arriscar-se a mergulhar na anomia. Ir contra a ordem da sociedade como é legitimada socialmente é, todavia, aliar-se às forças primevas da escuridão. Negar a realidade como foi socialmente definida é arriscar-se a precipitar-se na irrealidade, porque é quase impossível a longo prazo sobreviver sozinho e, sem o respaldo social, manter de pé as próprias contradefinições do mundo. Quando a realidade socialmente definida veio a identificar-se com a realidade última do universo, negá-la assume a qualidade de mal e de loucura. O negador arrisca-se, então, a ingressar no que se pode chamar de qualidade negativa – se se quiser, a realidade do demônio.”[1]

O capítulo trata sobre a religião como instrumento de legitimação da realidade social. Penso que Berger foi brilhantemente incisivo na sua análise, pois a ordem social é algo frágil e, historicamente, a religião foi o legitimador mais eficiente da ordem social. “Toda legitimação mantêm a realidade socialmente definida. A religião legitima de modo tão eficaz porque relaciona com a realidade suprema as precárias construções da realidade erguidas pelas sociedades empíricas.” [2]

É verdade que em nossa sociedade secularizada, onde não mais os mitos religiosos são as bases da ordem, mas sim nossos contratos sociais, a religião é ainda muito influente como ordenadora de sentido para o homem. O interessante é notar que ainda hoje manifestar um pensamento heterodoxo no contexto das instituições religiosas não é lá boa ideia. Tomando as palavras de Berger: é cair numa realidade do demônio.

Persiste o velho problema de não encarar a religião como produto humano, e é por isso que ela se torna alienação e self-deception. Se bem que não é tão difícil encontrar alguns utilizando o argumento da religião como produto humano só para reabilitar o velho discurso teológico com uma nova roupagem. Acredito que ou se assume o caráter humano da religião de fato ou continuamos a ler as cartilhas ideológicas das doutrinas sem nunca compreender o que está por trás delas.

Só assim se pode romper a lógica alienante intrínseca aos programas religiosos, isto é, se de fato se quer entendê-las.

Mailson Cabral.

[1] BERGER, Peter. O dossel sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo: Paulus, 1985, p.52.

[2] Idem, p.45.