A crença ou a descrença em deus(es) não é o problema pra mim. Você pode crer no que quiser, digo isso sem ressentimentos. Tanto faz pra mim se são em orixás, espíritos, anjos, kamis ou até em unicórnios, o que importa é o que se quer fazer com os outros por causa das crenças. Converter, humilhar, demonizar, ou segregar, nessas coisas é que mora o problema que tenho com as religiões, em especial o cristianismo, e para ser bem mais específico pentecostal/neopentecostal.

Meu problema com a ideia de deus no cristianismo é que não penso que ele seja o tipo de coisa boa ou justa em si, para mim a questão é sempre que estamos a falar da nossa subjetividade, do nosso reflexo no espelho, só que um reflexo institucionalizado, recortado e posto em moldura. Querer fazer disso uma regra de vida me parece não só estranho como de pouco bom senso e até mesmo indecente.  Dirijo o termo indecência aos que sabem o que deus é tratam a questão como se não soubessem. Não posso me curvar a esse comportamento de camelo que é explorado pelos seus próprios mitos. Reconheço o valor histórico dos mitos assim como sua importância numa perspectiva existencial, mas esse não é o tipo de consciência que chega às ruas, ou melhor, aos bancos e púlpitos. O que nos chega é que sempre são necessários intermediários entre os deuses e os homens – a saber, os sacerdotes.

No que tange a religião, objetivo e subjetivo se misturam na experiência e vida religiosa, atribuímos uma porção de acontecimentos concretos, chuva, colheita, passar no vestibular, escapar de um acidente de carro as divindades que cremos. A conexão entre objetivo e subjetivo se dá de tal maneira na mente do crente que fica difícil de pensar em algum tipo racionalidade da fé com um sujeito religioso muitas vezes. Acho que por isso quando leio ou escuto alguém falar sobre inteligência da fé é como se fosse uma contradição de termos para mim.

Minha descrença com a religiosidade cristã se dá pela incapacidade que vejo nela de reconhecer seus mitos como mitos, de ver a institucionalização do sagrado como elemento catalisador da alienação religiosa e da sua incapacidade autocrítica. Apenas observo de longe a movimentação dos templos, bem de longe, pois perdi a paciência para repetir as cartilhas de fé.

Levo comigo esse pensamento separatista e herético quando penso nas questões de fé: Que cada homem siga o seu caminho e descubra o que são os seus deuses e do que eles são feitos e então siga o seu caminho, acreditando no que quiser acreditar, mas ciente das coisas que crê.

Mailson Cabral.

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